As Taras de Tara


Todos nós temos um pouco da Tara dentro de nós. Não fiquem tão chocados, é verdade. Tinha um professor de Marketing que dizia que tínhamos múltiplas personalidades. Durante essa aula, uma colega minha zangada com tal afirmação, indignou-se com o professor, respondendo que não era nenhuma falsa. “Mas olhe que é. A menina não tem um comportamento igual para o seu pai, ou com o seu namorado ou mesmo com o seu patrão e até com pessoas que não conhecem de lado nenhum. Todos nós mudamos conforme o meio envolvente“. Lembrei-me muito desta experiência enquanto assistia à série “United States of Tara”, criada em 2009, manteve-se firme durante 2 temporadas com 36 episódios no total.

No epicentro desta louca série televisiva temos Tara Gregson, esposa de Max e mãe de dois filhos: Kate, uma adolescente problemática e Marshall rapaz sensível que está a revelar-se ser homossexual. Esta podia ser uma família normal, mas não é. Tara (Toni Collette) tem múltiplas personalidades dento de si. T. é uma adolescente de 16 anos que faz o que bem lhe apetece, Buck um veterano do Vietname e Alice, a perfeita mulher dos anos 60. Entretanto conforme a vida complica-se mais personalidades se juntam a Tara (mas sobre isso não vou spoilar).

O elenco é dos factores mais positivos e atractivos desta série. Toni Collette lidera a perfeição a equipa. Porra que atriz, e interpreta numa uma mas várias personalidades diferentes. Conseguindo num momento estar calma e noutro aos berros, ou a chorar sem transição progressiva de emoção. Collette brilha com todo o seu talento, e deviam oferecer mais crédito a esta atriz. Brie Larson ainda estava longe de interpretar o filme “O Quarto” mas já conseguia chamar a atenção com a sua atitude. John Corbett também está à altura ao interpretar um marido/pai à beira de um ataque de nervos.
Na sua generalidade esta série apresentou uma crítica positiva, devido ao argumento intenso e imprevisível. Relativamente a prémios Toni Collette conseguiu destaque com um Emmy Award e um Golden Globe. “As Taras de Tara” é uma série desvalorizada mas que tem imenso potencial, com um tema sério conseguem argumentar com um humor afiado. Além disso conta com Steven Spielberg como produtor executivo.

Crítica: Miss You Already

A amizade entre duas melhores amigas desde sempre é posta à prova imediatamente, enquanto que uma tenta construir família, a outra adoece gravemente.

Título: Miss You Already
Ano: 2015
Realização: Catherine Hardwicke
Interpretes: Toni Collette, Drew Barrymore, Dominic Cooper….
Sinopse: A amizade entre duas melhores amigas desde sempre é posta à prova imediatamente, enquanto que uma tenta construir família, a outra adoece gravemente.

Preparem as emoções e os lenços, porque este é um filme mesmo para chorar baba e ranho. “Miss Your, Already” pela sinopse em cima transcrita, percebemos claramente o tema retratado: a vida. Repleta de bons e maus momentos, com mais ou menos risos e lágrimas, a verdade é que de um momento para o outro tudo pode mudar num ápice. Sem nos apercebemos, não é só a nossa vida que vai mudando, mas a dos outros também. Este filme junta duas excelentes atrizes, Toni Collette e Drew Barrymore, que são duas verdadeiras amigas. Claramente que as duas quase não necessitavam de representar, estavam genuínas na pele das suas personagens. No entanto ofereço um aplauso a Collette, pois não é fácil representar uma pessoa doente, e apesar da sua transformação para o papel, continuava linda. “Miss You Already” reporta a amizade e a família onde a doença é uma sombra constante na vida, que não tem forma de ir embora. Apesar desse mal abalar imenso, se tivermos alguém com quem partilhar a nossa dor, tudo é suportável.

Hardwicke transmite um toque feminino ao filme, e não só pelas protagonistas serem duas atrizes. Mesmo a história é contado pelo olhar e opinião de um mulher. Ainda bem, a indústria cinematográfica está saturada de papéis com destaque masculino. “Miss You Already” é um filme bonito, divertido, bem-disposto, cheio de energia, mas também consegue ser triste, dramático e até inspirador. Num momento podemos estar a rir e noutro a chorar, o que é positivo, pois consegue “mexer” forte e feio com as emoções do espectador. Não aspectos negativos a delinear, a história é simples, mas ao mesmo tempo nunca vi um filme assim tão real, onde todos os processos do cancro são referidos. Gostei da dinâmica do elenco, que quase nos esquecíamos que era um filme. O que alterava seria provavelmente a longevidade da obra, que por vezes focava-se em assuntos sem continuidade histórica. O filme foi-me aconselhado a ver, e eu gostei tanto que voltou aconselho a todos. O blogue atribui 3,5 estrelas em 5.

Rating: 3 out of 5.