Crítica: Bombshell – O Escândalo

Um grupo de mulheres, consegue expor o responsável pela Fox News, criando uma atmosfera tóxica no canal de televisão. Um filme baseado com factos verídicos com Nicole Kidman, Charlize Theron e Margot Robbie nos principais papéis.

Título: Bombshell
Ano: 2019
Realização: Jay Roach
Interpretes: Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie…
Sinopse: Um grupo de mulheres, consegue expor o responsável pela Fox News, criando uma atmosfera tóxica no canal de televisão.

O início de um escândalo

Baseado em factos verídicos quando um grupo de mulheres expuseram o director pelo canal Fox News, Roger Ailes, devido a alegados assédios sexuais.

O filme foca-se nas âncoras principais do canal, Megyn Kelly (Charlize Theron) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman) que falaram sobre as imposições a que foram vítimas para trabalharem nos seus postos. Sofreram descriminação sexual por serem mulheres, mas subiram profissionalmente e conseguiram tornarem-se das caras mais conhecidas do canal.

Uma história verídica, com excepção da personagem Kayla, interpretada por Margot Robbie, que aborda três perspectivas diferentes do mesmo caso que envolve Roger Ailes (John Lithgow) e a sua atitude relativamente às âncoras que apresentavam os programas diários do canal de televisão. Além disso explora o mau clima deixado quando as primeiras acusações foram feitas. Dividindo em opiniões diferentes quem acreditava na inocência de Ailes e que quem duvidava das suas intenções.

Bombshell” começa muito antes das acusações de assédio. Começa com as eleições à presidência dos Estados Unidos da América com a apresentadora Megyn Kelly a entrevistar o candidato Donald Trump. A jornalista evidenciou fortes referencias aos tweets de Trump, alegando que não respeita as mulheres. Depois do debate, o atual presidente retaliou e com comentários maldosos insultou Megyn. Enquanto isso Gretchen Carlson uma das estrelas principais do canal, é renomeada para outro programa com menos audiências e um horário menos flexível. Cansada de comentários sexistas, contacta os seus advogados. Desaconselhada a processar o canal Fox News, decide atacar Roger Ailes, com fortes acusações. Tal irá destruir a sua carreira e reputação, mas irá ajudar outras mulheres a não sofrerem mais abusos. Carlston tenta conseguir o apoio de mais mulheres à sua causa, para falarem a verdade sobre a sua experiência, mas é rejeitada, onde justificam como serem fiéis ao próprio canal.

Early on he realized for a network to stay on 24 hours a day you need something to hold an audience. That something is legs. There’s a reason for clear desks.

Megyn Kelly

Seguindo uma realização de Jay Roach, temos um filme real, e com uma cinematografia inteligente. O facto de alguns momentos ouvirmos a voz das mulheres no seu interior com comentários fortes, foi bem pensado. Contudo só no início do filme e depois fica esquecido. “Bombshell” é também uma forte lembrança ao manifesto de coragem que todas estas mulheres tiveram para darem o seu depoimento sobre o caso. Contudo houve algumas falhas no argumento que faltaram. Deviam ter sido mais específicos neste filme, e para com isso criarem mais impacto. Estes casos afectam a nossa actualidade diariamente. Por tal essas vozes devem ser ouvidas. Recentemente aconteceu com Harvey Weinstein, produtor de entretenimento que foi acusado publicamente por várias personalidades. Um caso muito idêntico.

Como aspectos positivos temos a fantástica interpretação deste maravilhoso trio de atrizes: Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie, que mantiveram uma forte presença no ecrã. Por isso ficaram nomeadas aos Óscares. A equipa de maquilhagem esteve cinco estrelas operacional e as atrizes principais, principalmente Theron estavam irreconhecíveis. Concluindo o filme foi mediano, mas que aborda temas sensíveis com um elenco de luxo. O blogue atribui 3,5 estrelas em 5.

Rating: 3.5 out of 5.

Crítica: 1917

6 de abril de 1917. Enquanto um regimento se junta para invadir território inimigo, dois soldados são enviados para lutarem contra o tempo e entregarem uma mensagem e evitarem que 1600 sejam empurrados para uma armadilha que pode terminar nas suas mortes.

Título: 1917
Ano: 2019
Realização: Sam Mendes
Interpretes:  Dean-Charles Chapman, George MacKay, Daniel Mays…
Sinopse: 6 de abril de 1917. Enquanto um regimento se junta para invadir território inimigo, dois soldados são enviados para lutarem contra o tempo e entregarem uma mensagem e evitarem que 1600 sejam empurrados para uma armadilha que pode terminar nas suas mortes.

O realizador Sam Mendes, inspirou-se nas histórias que o seu avô contava sobre a guerra e criou este filme, num mistura entre a realidade e fição. Pode não ter recebido o Óscar de Melhor Filme este ano, mas o seu mérito merece ser referido. “1917” não é um filme normal sobre a guerra. Esta é uma obra-prima muito real e fidedigna às trincheiras da 1ª Guerra Mundial onde soldados davam a sua vida para lutarem pelo seu país.

Dois soldados britânicos e colegas, Blake (Dean-Charles Chapman) e Schofield (George MacKay) recebem uma missão quase impossível. Levarem uma mensagem ao sargento doutro batalhão e evitar que 1600 soldados sejam encaminhados para uma armadilha alemã. Numa corrida contra o tempo e com difíceis obstáculos, ambos vão unir os seus máximos esforços e tentar sobreviver para salvar a vida daqueles homens, incluindo o irmão de Blake.

Admito que filmes de guerra não são os meus favoritos, mas este fez-me mudar de ideias. O sufoco que foi seguir estes dois homens na sua jornada foi muito grande. Além disso a técnica utilizada por Sam Mendes, de plano contínuo, ajudou a esta preocupação. O plano mais longo demorou 9 minutos, o nível de mestria presenta na realização é fenomenal. “1917” recebeu o Óscar de Melhor Fotografia e Melhor Mistura de Som. A cinematografia deste filme é algo a considerar. Apesar do ambiente repleto de terra batida e trincheiras, conseguiram propor um excelente trabalho com a iluminação e os as cores utilizadas, principalmente nas cenas nocturnas, com os efeitos das luzes e explosões.

Como o propósito do filme é a missão dos jovens soldados, não conhecemos bem o desenvolvimento das personagens. Apenas por breves momentos conhecemos um pouco sobre o íntimo dos protagonistas. Estão sempre a decorrer acontecimentos marcantes e não ficamos cansados de assistir. Apesar de não existirem muitas falas, sentimos uma relação próxima com estas personagens. Queremos que consigam terminar a sua tarefa. Vemos o seu ar cansado, mas motivado para informação que vai salvar milhares de soldados.

Concluindo este é um filme belo, completo e uma excelente obra cinematográfica que não vai deixar ninguém indiferente. Comovente, e consegue deixar o nosso coração acelerado em vários momentos. O blogue atribui 4,5 estrelas em 5.

Rating: 4.5 out of 5.

Mulherzinhas (2019)

Jo March reflecte sobre a sua vida, explicando a história das queridas irmãs March – quatro mulheres, determinadas e viver a vida nos seus próprios termos.

Título: Little Women
Ano: 2019
Realização: Greta Gerwig
Interpretes:  Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh…
Sinopse: Jo March reflecte sobre a sua vida, explicando a história das queridas irmãs March – quatro mulheres, determinadas e viver a vida nos seus próprios termos.

Esta obra clássica da literatura recebeu uma nova adaptação, mais fresca e jovial pela realizadora Greta Gerwig. Uma visão feminina era tudo o que mais precisávamos para este filme.

As Mulherzinhas” surgiu em 1868 pela imaginação de Louisa May Alcott, ou melhor, esta é uma semi-biografia, com personagens fictícias, inspirada na sua própria vida. Nesta obra intemporal e moderna para a época, reflecte com transparência o papel das mulheres na sociedade. Transformou-se nas suas vozes. “Mulherzinhas” aborda a história de quatro irmãs – Jo, Meg, Beth e Amy, onde juntas tentam sobreviver a um período difícil da História Americana, a Guerra Civil (1861 – 1865). Este é um contexto necessário para compreendermos a generosidade desta família, guiadas pela sensatez da mãe. Marmee (Laura Dern) educa sozinha as filhas, enquanto a figura paternal luta na guerra. Apesar dos tempos difíceis, escreve sempre uma carta às suas filhas, assinando sempre “com muito amor para as minhas mulherzinhas”.

A narrativa não é abordada de forma linear. Greta Gerwig fez questão disso. Esta é uma nova adaptação, onde através de flashbacks ficamos a conhecer o passado e o presente da família March. Uma abordagem mais cativante para motivar o público. Tornando este filme de época mais acessível para todos. A protagonista da história é Jo, considerada como o ego real da própria escritora Louisa May Alcott. Com personalidade determinada e independente, Jo não se enquadra no quadro perfeito de mulher da altura. Sonha ser escritora e viver nos seus próprios termos. Triunfar num mundo de homens, inconformada com as leis sociais impostas às mulheres. Atualmente vive em Nova Iorque, mas uma carta fá-la voltar a casa.

Voltamos no tempo até 7 anos atrás. Estamos em Concord, Massachusetts na casa da família March. Conhecemos melhor as quatro adolescentes irmãs de classe média. Além de Jo, temos a sonhadora Meg, que ambiciona ser bela e casar; a calma e meiga Beth que adora a música e Amy a mais nova, muito emotiva e caprichosa. Com personalidades bastante diferentes, é interessante ver o crescimento de cada uma destas personagens no decorrer da narrativa. As suas ações perante as várias situações do dia-a-dia são degraus que vão ultrapassando e tornando os seus sonhos realidade.

Com um total de 6 Óscares em nomeação, incluindo Melhor Filme, Melhor Banda Sonora, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Guarda-Roupa, também estão nomeadas na categoria para Melhores Atrizes – Principal e Secundária. Saoirse Ronan é a escolhida da realizadora. Ambas já trabalharam juntas no filme Lady Bird que também esteve nomeado aos Óscares em 2018. Saoirse é uma excelente atriz e prova disso tem sido os filmes que tem participado. Assume bem o protagonismo e esta é já a sua quarta nomeação ao Óscar. Uma surpresa foi a jovem Florence Pugh que se destaca maravilhosamente neste filme. 2019 foi sem dúvida o seu ano, depois de participações em “Uma Família no Ringue, e “Midsommar” conseguiu várias nomeações aos prémios com “Mulherzinhas“. Além disso este ano vai participar em “Viúva Negra” que estreia em maio. No elenco ainda marcam presença Emma Watson, Timothée Chalamet (Chama-me pelo teu nome), Laura Dern, Eliza Scanlen (Sharp Objects) e Meryl Streep. Engraçado pensar que apesar de esta ser uma história tipicamente americana, o seu principal elenco não é. Todas as irmãs são inglesas, excepto Eliza que é australiana. Em algumas cenas mais tensas, Saoirse não conseguiu esconder o seu sotaque irlandês, esta foi apenas uma pequena referência. “Mulherzinhas” nesta edição aos Óscares, conseguiu apenas o de Melhor Guarda-Roupa.

Concluindo este é um filme que aquece o coração e apresenta mais um trabalho brilhante de Greta Gerwig como realizadora. Num indústria saturada de homens na chefia, Gerwig destaca-se na multidão. Apesar estar a competir com o marido, Noah Baumbach em “Marriage Story” para o prémio de Melhor Filme e Melhor Realização. Nenhum ganhou, no entanto ficou uma excelente nova adaptação do clássico de literatura e que Louisa May Alcott deveria ficar muito orgulhosa pelo resultado. 

Rating: 4 out of 5.

Sony Pictures Portugal

Crítica: Rocketman

Uma fantasia musical sobre a fantástica história de vida de Elton John na altura onde tentava alcançar a fama.

Título: Rocketman
Ano: 2019
Realização: Dexter Fletcher
Interpretes:  Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden…
Sinopse: Uma fantasia musical sobre a fantástica história de vida de Elton John na altura onde tentava alcançar a fama.

Já conhecíamos o nível de excentricidade do artista Elton John. As suas inovadoras performances apresentavam sempre algo de novo e empolgante. Mas nunca vimos nada como este filme. “Rocketman” é um carrossel de emoções, brilho e cores sobre os momentos mais emblemáticos da vida do músico e compositor. Desde a sua infância e ao simples facto querer ser amado, até ao talento pela música que despertou em si o gosto pelo rock e o sonho de ser o protagonista da sua história. A descoberta da homossexualidade e o sucesso imediato, com músicas originais e espectáculos sempre esgotados. O seu vício das drogas e álcool é também retratado, assim como a sua dificuldade em manter-se de pé novamente quando bateu no fundo. A fama tem destas coisas.

Não estava preparada para esta filme. Em género musical, somos levados a conhecer a vida do músico através da perspectiva das suas canções que se enquadram tão bem na duração desta obra cinematográfica. Houve um lineamento perspicaz da narrativa com movimentos e sentimentos a decorrer ao longo da música. As emoções fluem bem melhor com música.

I’ve got the number one album in America, again, I’m about to embark on the highest grossing tour in rock history, I’m personally responsible for 5% of all record sales on the entire planet, and I have the biggest headdress known to man, so, yeah, I think I’m OK!

Elton John

No protagonismo temos Taron Egerton, que tem evoluído muito como ator. Depois da sua participação em “Kingsman“, já esteve nomeado para vários prémios, o Óscar escapou-lhe este ano, mas para a próxima quem sabe. A sua interpretação está fenomenal neste filme. Um Elton John fiel e com a aprovação do original. Neste filme é apresentado a luta do artista durante a sua carreira e limitações, mas nunca perdeu o foco e conseguiu salvar-se a tempo. Este é um filme sobre procura de identidade num mundo de vícios.

O guarda-roupa é outro factor empolgante deste filme. Recriaram os fatos mais emblemáticos do músico. Com os trajes das suas atuações. Tal conseguiu acrescentar a magia do próprio Elton John à obra cinematográfica.”Rocketman” não se foca na história de vida do sucesso na música, mas sim um triunfo de vencedor das suas vulnerabilidades tal como é apresentado no início do filme e daí vamos conhecendo a raiz desses males. Contudo foram problemas que não foram bem resolvidos, apenas aceites por Elton de forma a continuar a viver e paz e conseguir finalmente ter a liberdade para encontrar o amor. O blogue atribui 4 estrelas em 5.

Rating: 4 out of 5.

Paramount Pictures Portugal

Crítica: Um Amigo Extraordinário

Baseado numa história verídica de uma forte amizade entre Fred Rogers e o jornalista Tom Junod.

Título: A Beautiful Day in the Neighborhood 
Ano: 2020
Realização:  Tom Hanks, Matthew Rhys, Chris Cooper
Interpretes: Marielle Heller
Sinopse: Baseado numa história verídica de uma forte amizade entre Fred Rogers e o jornalista Tom Junod.

“It’s a beautiful day in the neighborhood” é a cantarolar esta música que Tom Hanks dá início o programa que foi baseado este filme. O ator interpreta o apresentador norte-americano Fred Rogers. Mas este filme não é sobre a vida do acolhedor Mister Rogers acarinhado por todos como o simpático vizinho da América. Esta é uma história de uma forte amizade entre Fred Rogers e Tom Jundo (que no filme apresenta o nome ficcional de Lloyd Vogel).Vogel é interpretado por Matthew Rhys, um jornalista viciado em trabalho que muda a sua perspectiva de vida após uma entrevista que realizou a Rogers enquanto fazia o seu programa.

Durante este filme semi-biográfico acompanhamos a rendição da barreira social, onde os protagonistas expõem os seus problemas e dúvidas. Lloyd enfrenta uma das piores fases da sua vida, após o reencontro com o seu pai, que desapareceu após a morte da mãe. Numa jornada de perdão e desapego de ressentimentos, somos invasores na sua história pessoal. A entrevista com Rogers mudou a forma como Lloyd tomava as suas decisões e foi um “abre-olhos” para mudar a sua vida que o estava a consumir com ansiedade, stress e raiva.

This piece will be for an issue about heroes. Do you consider yourself a hero?

Lloyd Vogel

Não podiam encontrar ninguém melhor para interpretar Mr. Rogers do que Tom Hanks. Além das parecenças entre ambos, Hanks é também conhecido em Hollywood como um mr. nice guy, pois mantém um perfil amigável com todos aqueles que o rodeiam. Mantém boas energias e também aceita fazer participações nos locais mais inesperados. Quem se lembra da sua presença no videoclip “I Really Like You” da cantora Carly Rae Jepse, onde canta e até dança. Mesmo assim Tom Hanks é um ator de topo e já conseguiu dos Óscares na sua carreira com “Forrest Gump” (1994) e “Philadelphia” (1993). Mas também já esteve outras nomeado, esta é a sua sexta nomeação aos Óscares, mas desta vez é como Ator Secundário. Mas realmente esta é a melhor performance do filme e o que ainda assegura a sua qualidade. O ator Chris Cooper também emocionou com a sua personagem.

A narrativa deste filme é muito simples e apresenta um contexto pouco explorado, e não sentimos uma aproximação com as personagens. Houve momentos incoerentes e falhas de narração. Contudo aquece-nos o coração a torna-nos mais humanos e sensíveis aos problemas dos outros. Um desenvolvimento pessoal inexplorado que nos faz pensar no que temos de mais importante na vida e ao que nos devemos agarrar. Este é basicamente um filme de atores, mas que apresenta uma forte moral. O blogue atribui 3,5 estrelas em 5.

Rating: 3.5 out of 5.

Sony Pictures Portugal

O estilo de Emma Stone

arrasa sempre na passadeira vermelha. A fofura da atriz é contagiante e dá-nos vontade a trazer para casa e enche-la de abraços. Está sempre linda e consegue surpreender com os seus looks de estrela, excepto nos Óscares deste ano (mas vamos esquecer que isso aconteceu). Esta é a lista dos melhores looks da atriz Emma Stone.

A atriz Emma Stone arrasa sempre na passadeira vermelha. A fofura da atriz é contagiante e dá-nos vontade a trazer para casa e enche-la de abraços. Está sempre linda e consegue surpreender com os seus looks de estrela, excepto nos Óscares deste ano (mas vamos esquecer que isso aconteceu). Esta é a lista dos melhores looks da atriz Emma Stone.

Crítica: Green Book – Um Guia Para a Vida

O que me chamou primeiro à atenção quando comecei a assistir ao filme, foi a banda sonora. Os ritmos vibrantes do jazz, ecoaram na cena é que apresentaram o primeiro protagonista deste filme. Tony Lip (Viggo Mortensen) é um americano com origens italianas, que vive no seio e uma grande família. Com origens humildes, tenta conseguir a melhor maneira de arranjar dinheiro fácil, sem ter um emprego fixo.

O que me chamou primeiro à atenção quando comecei a assistir ao filme, foi a banda sonora. Os ritmos vibrantes do jazz, ecoaram na cena é que apresentaram o primeiro protagonista deste filme. Tony Lip (Viggo Mortensen) é um americano com origens italianas, que vive no seio e uma grande família. Com origens humildes, tenta conseguir a melhor maneira de arranjar dinheiro fácil, sem ter um emprego fixo. Seja a conduzir camiões do lixo, pequenos trabalhos ilícitos ou até mesmo em apostas para descobrir quem come mais hambúrgueres. Como não se sente confortável a estar sempre na corda bamba, decide aceitar o emprego a que foi recomendado, ser motorista privado de um doutor. Em emprego descomplicado e com bom dinheiro. No dia da entrevista, Tony ficou admirado com a casa do seu empregador. Vivia sozinho, num gigante apartamento com uma decoração exuberante. Talha dourada, couro, veludo vermelho e marfim exposto. Tudo de um requinte e luxo. Lip (como era atenciosamente conhecido pelos amigos) ficou deslumbrado e rapidamente percebeu que não estava perto de um homem comum. Quem o entrevista é Don  Shirley (Mahershala Ali) um famoso pianista de raça negra que pretende começar a fazer uma digressão pelas cidades de sul dos Estados Unidos da América. O que acontece durante esses dois meses de viagem juntos, vai marca-los para sempre. Apesar das várias diferenças de culturas, tornam-se amigos para a vida.

No início dos ano 60, os Estados Unidos da América ainda não aceitavam completamente pessoas de cor diferente no mesmo espaço. Ainda existia o preconceito social bem vincado e racista. Como tal, em 1936, Victor Hugo Green, um afro-americano criou um livro que serviu de guia para viajar, seleccionando os locais próprios para pessoas de cor.  Foi esse mesmo livro que Don  Shirley utilizou durante o seu trajecto a Sul. Apesar da sua fama a norte e centro, mesmo depois de tocar ao vivo na Casa Branca, pretendia mudar opiniões e integrar-se da melhor maneira possível no país que também era seu.

Um argumento bem linear, mas com vários momentos que apelam ao coração. Duas diferentes educações confrontadas em vários momentos. Don Shirley ajudou Tony Lip a escrever cartas com mais sentimento à sua esposa que aguardava pela sua chegada na véspera de Natal, assim como a melhorar o seu vocabulário de gíria. Já o contrário aconteceu, quando Lip protegia o seu patrão de várias situações humilhantes. O seu diálogo persuasivo e muito carismático conseguia convencer qualquer um. Além disso a narrativa não cansa, e está sempre a acontecer algo de novo, não existe momentos parados, nem falsos dramatismos.

Além da nomeação para Melhor Filme, “Green Book”, tem no seu elenco dois atores nomeados. Viggo Mortensen na categoria de melhor ator e Mahershala Ali como melhor ator secundário. Ambos com hipóteses de ganhar. O primeiro revela um fácil à vontade com a sua personagem. O sotaque italiano bem estudado facilita a conexão que mantemos com esta personagem. As suas atitudes são o melhor que oferece à sua actuação. Um estilo de macho bem disfarçado que tropeça muito nas palavras, mas tem um bom coração. Já Mahershala Ali apresenta uma postura recta, mantido num tom de voz sereno e calmo. A sua seriedade é do mais tranquilizante possível, sem destabilizar a sua personagem. [LER MAIS]

Crítica: Foxcatcher

Os campeões olímpicos da equipa wrestling norte-americana, Mark e Dave Schulz juntam-se à equipa “Foxcatcher” liderada pelo excêntrico John du Pont, em 1988 enquanto treinam para as os Jogos Olímpicos em Seoul, mas a personalidade auto-destrutiva de John ameaça destrói-los a todos.

Título: Foxcatcher
Ano: 2014
Realização: Bennett Miller
Interpretes: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo…
Sinopse: Os campeões olímpicos da equipa wrestling norte-americana, Mark e Dave Schulz juntam-se à equipa “Foxcatcher” liderada pelo excêntrico John du Pont, em 1988 enquanto treinam para as os Jogos Olímpicos em Seoul, mas a personalidade auto-destrutiva de John ameaça destrói-los a todos.

Foxcatcher esteve nomeado para os Oscars de 2015, nas categorias de melhor ator, melhor ator secundário, melhor roteiro original e melhor maquilhagem. Apesar de apenas agora assistir ao filme, admito que fiquei desapontada com os seus acontecimentos. Contudo os atores merecem o reconhecimento. A narrativa vazia e imperfeita em falhas e lacunas que dificultaram a compreensão das ações das personagens é dos pontos mais fatais. Compreendo que estes acontecimentos verídicos transparecem a realidade, mas faltou muita informação e a repentina mudança de personalidade em todas as personagens não ajudou.

O realizador, Bennett Miller tem uma adoração especial por histórias reais. Depois de vários documentários e da obra cinematográfica “Capote” focou-se nos drásticos acontecimentos de Foxcatcher. A história baseia-se no tumultuoso relacionamento do milionário John du Pont e os irmãos medalhistas das Olimpíadas, Mark e Dave Schulz que dedicaram toda a sua vida à luta greco-romana. Du Pont vem de uma família nobre que pretende criar a equipa mais infalível deste desporto, que pela sua mãe é algo considerado desprezível e “pobre”. Ao poucos esta amizade, vai denegrir-se e tornar-se tóxica, um prelúdio das consequências trágicas que o dinheiro podem trazer.

Apesar desta abordagem mais superficial, Miller pretende algo mais profundo com este filme. A ideia ilusória de que os Estados Unidos da América são o melhor país do mundo, e a fome de vencer está bem presente. Um país orgulhoso, snobe e muito competitivo em conseguir títulos e vitórias, mas a importante questão, é a que custo?

O elenco é dos contributos mais poderosos deste filme. Steve Carell totalmente irreconhecível dos filmes de comédia que normalmente participa. Apresenta uma postura solitária, excêntrica e pouco compreensível com um diálogo vagaroso e metódico. Channing Tatum apresenta uma excelente forma física neste filme, contudo com uma presença marcada pelo protagonismo maior de Mark Ruffalo que consegue destacar-se como ator secundário. Concluindo o filme, apesar da sua fotografia escura, aborda uma história poderosa dramática com um fantástico elenco, mas ainda com alguns aspectos a melhorar. O blogue atribui 3,5 estrelas em 5.

Rating: 3 out of 5.

Crítica: A Hora Mais Negra

Em Maio de 1945 o destino da Europa está nas mãos do Primeiro Ministro britânico, Winston Churchill, que terá de decidir entre negociar com Adolf Hitler ou lutar e descobrir que poderá ser a ruína do império britânico.

Título: Darkest Hour
Ano: 2017
Realização: Joe Wright
Interpretes: Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas….
Sinopse: Em Maio de 1945 o destino da Europa está nas mãos do Primeiro Ministro britânico, Winston Churchill, que terá de decidir entre negociar com Adolf Hitler ou lutar e descobrir que poderá ser a ruína do império britânico.

Filmes como este deviam ser mais vezes feitos. Momentos da História que marcaram decisões vincadas para um presente que conhecemos. Situações complicadas e momentos temerosos que culminaram o destino do mundo como conhecemos atualmente. “A Hora mais Negra” retrata a decisão do primeiro-ministro britânico, Winston Chrurchill que marcou a posição firme do Reino Unido na 2ª Guerra Mundial. Uma decisão limpa sobre nega de rendição à Alemanha nazi, liderada por Hitler. “I have nothing to offer but blood, toil, tears and sweat. We have before us an ordeal of the most grievous kind. We have before us many, many long months of struggle and of suffering.” Frase discursada por Churchill no dia 13 de maio na Câmara dos Comuns quando se tornou Primeiro-Ministro. A sua intenção não era dar falsas esperanças ao povo, como tinham feito até ao momento, mas atribuir-lhes força para a batalha que se aproximava. O mês de maio de 1940 do conhecido primeiro-ministro britânico, foi dos mais complicados da sua vida. A subida de cargo na política, a contradição de todos pela sua promoção, sem o suporte da casa real, as tropas britânicas cada vez mais cansadas e poucas, sem aliados, o bloqueio de Dunkirk e o acordo de paz com Hitler, fomentou o sucesso de Winston Churchill e hoje um dos nomes mais reconhecidos da História britânica.

A Hora Mais Negra” realizado por Joe Wright, conhecido por filmes históricos como “Orgulho e Preconceito“, “Expiação” e “Anna Karenina”, aborda de forma equilibrada este tema. Nesta produção não é apresentado uma película biográfica sobre Churchill, é sim um momento único da sua vida explorado de forma meticulosa para retratar o mais real possível dos acontecimentos.

Gary Oldman recebeu o Óscar de Melhor Ator Principal por esta sua interpretação. Bem merecido, o ator “escondido” pela maquilhagem e caracterização superou o desafio com distinção. A voz e gestos estão completamente dentro da personagem. O argumento bem delineado com planos seguros e marcantes, tornam este filme sólido e coerente. A obstinação de Churchill foi necessária, mesmo que isso fosse contra os padrões normais, numa altura em que tudo parecia perdido. Uma narrativa impressionante de coragem e esperança. O blogue atribui 3,5 estrelas em 5.

Rating: 4 out of 5.

Crítica: Eu, Tonya

A patinadora de gelo profissional, Tonya Harding, afastou-se do seu sonho devido da intervenção do seu marido, com um escândalo mediático.

Título: I, Tonya
Ano: 2017
Realização: Craig Gillespie
Interpretes: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney…
Sinopse: A patinadora de gelo profissional, Tonya Harding, afastou-se do seu sonho devido da intervenção do seu marido, com um escândalo mediático.

 “I, Tonya” é um filme baseado em factos verídicos sobre a vida da patinadora Tonya Harding. Um formato de documentário, este filme aborda os principais momentos que marcaram a vida pessoal e profissional de Tonya, uma das patinadoras mais conhecidas da América. A montagem cinematográfica é das mais bem-valias da produção. Com momentos cómicos e dramáticos que proporcionam e verdade de Tonya sobre os acontecimentos que levaram ao final da sua carreira como patinadora. O realizador Craig Gillespie capta quase em formato “Big Brother” as peripécias, abusos, desafios e efeito mediático de Tonya Harding.

Margot Robbie é a protagonista deste drama, ao lado de Allison Janney, que interpreta a sua abusadora mãe. Ambas merecedoras da nomeação aos Oscars e com fortes probabilidades de ganharem. A determinação e convicção que dão à personagem é demasiada e devem ter mérito por isso.

O sonho americano é retratado de forma exuberante neste serão sobre a patinagem artística. Tonya que nunca teve uma vida fácil pretende destacar-se neste meio, onde só oferece glória às meninas com vidas perfeitas, bonitas e bem arranjadas. Tonya, sempre foi uma outsider, mas vai provar o que o seu talento não tem limites.

Tudo se completa nesta obra cinematográfica. O argumento bem delineado, a montagem e descrição dos acontecimentos, à interpretação dos atores e mesmo a banda sonora, que promove um som vibrante dos anos 80 e início dos anos 90. Impossível ficarmos indiferentes a esta comédia exagerada sobre a realidade sobre factos de uma história que ainda se mantém na dúvida de muitos americanos. O blogue atribui 4 estrelas em 5.

Rating: 3 out of 5.