Good Morning Call

Um dorama japonês sobre o romance que nos vai prender ao ecrã desde o primeiro episódio. Esta é uma produção da Netflix com duas temporadas que se foca no primeiro amor de uma jovem do ensino secundário que se apaixona inevitavelmente pelo rapaz mais popular da escola, quando por mero acaso são “obrigados” a viverem juntos.

O primeiro amor

Um dorama japonês sobre o romance que nos vai prender ao ecrã desde o primeiro episódio. Esta é uma produção da Netflix com duas temporadas que se foca no primeiro amor de uma jovem do ensino secundário que se apaixona inevitavelmente pelo rapaz mais popular da escola, quando por mero acaso são “obrigados” a viverem juntos.

Nao e Uherara vão assim aprender a conviverem um com o outro, apesar de serem mesmo muito diferentes. Além do romance, temos uma comédia jovial, bem-disposta e que apela imenso aos nossos sentimentos. Este dorama foi uma surpresa que e cativou a minha atenção desde do início.

O que fazias se fosses vítima de uma fraude, onde terias de aceitar viver num fantástico apartamento, com muito espaço, no centro de Tóquio e com uma renda baixíssima? Mas como conveniente terias de viver com uma pessoa que não conhecias. Essa situação aconteceu a Nao, que para se manter longe da vida do campo onde estão os pais e conseguir ser independente na grande cidade, aceitou essa condição (mas não o sabia). Feliz no seu novo apartamento, essa decisão pareceu errada, quando Uherara também seria um dos inquilinos. Ambos foram vítimas de uma fraude de arrendamento do apartamento e por isso terão de aprender a viverem juntos.

Nao Yoshikawa (Haruka Fukuhara) é a típica rapariga japonesa, sonhadora, distraída e com ambições românticas para a vida. Gosta de ajudar os outros, mas passa um pouco despercebida aos olhos dos outros e apenas a sua melhor amiga Marina é a sua ouvinte. Hisashi Uherara (Shunya Shiraishi) é o oposto. Um tipo calado, que não revela os seus sentimentos, vive um mundo só seu e tem centenas de raparigas atrás dele na escola. De boa aparência é um rapaz popular. A vida de ambos juntou-os e apesar de serem diferentes, os opostos atraem-se.

RESENHA] Good Morning Call 2 - Capopeiros
Em perfeito juízo?!: Good Morning Call 2

Neste dorama (série de drama) produzido pela Netflix no Japão, inspirada na manga com o mesmo nome, escrita por Yue Takasuka, seguimos uma história carismática e meiga sobre a busca e conquista do primeiro amor. Enquanto isso a comédia também está presente nesta série, seja pelas trapalhadas de Nao que exagera nas suas expressões, ou na verdade escondida de que ambos vivem juntos (é contra a regra da escola). Apesar de apresentar uma narrativa que já conhecemos, muitas reviravoltas acontecem e quando esperávamos que tudo estava a correr bem, algo acontece. O romance entre estes dois vai demorar a acontecer, mas estamos a torcer por eles, apesar de muitos obstáculos pelo caminho. A primeira temporada foca-se no relacionamento de Nao e Uherara e como vai evoluindo e a segunda temporada, aborda os dias de faculdade. Onde os protagonistas amadurecem, e os seus sentimentos também. Além dos protagonistas, temos histórias com personagens secundárias fortes que se interligam bastante.

Um drama fofinho com personagens cativantes e que segue o género que estamos habituados a ver em anime. Uma boa aventura para quem (tal como eu) se quer iniciar em doramas. A forma como os japoneses reflectem os seus sentimentos é marcante e deixa-nos com um aperto no coração. Além disso, muitas vezes demonstram olhar vazio e triste, o que nos desampara e sentimos mesmo por aquelas personagens. Não conhecia uma série tão sentimental como esta. “Good Morning Call” foi uma surpresa e fiquei apaixonada por este casal.

I’m not okay with this

Sydney é uma adolescente atribulada e confusa. Enquanto lida com a sua complexa família, a sua sexualidade e um conjunto de poderes que começam a despertar dentro de si.

Mente atribulada de uma adolescente

Sydney (Sophia Lillis) é a protagonista desta série que se torna só mais uma no catálogo de séries sobre adolescentes da Netflix. Sydney podia ser como qualquer um de nós. Tem as suas frustrações (muitas), uma mente atribulada, e parece não pertencer.

Mas se isso fosse tudo. Além de tentar ser uma adolescente normal, Sydney começou a despertar dentro de si, super-poderes. Poderes que a deixam descontrolada e zangada. Tem receio no que se vai tornar. Nesta nova série da Netflix juntamos o sobrenatural à mente atribulada de uma adolescente.

Nos primeiros segundos do primeiro episódio, acompanhamos uma adolescente a correr. Esta a fugir de algo, ou então está a fugir dela própria. Uma cenário de terror, quase que reconhecemos aquele momento. Parece o filme “Carrie“. Quando após um baile escolar, numa brincadeira deixam escorrer sangue de porco por cima de Carrie. Uma brincadeira que teve consequências graves, quando a jovem revela os seus poderes psíquicos. Sydney a protagonista de “I’m not okay with this” segue com o mesmo cenário de medo. A fugir, assustada, coberta de sangue. Claro que o para conhecermos o que lhe aconteceu, temos que assistir à temporada completa de sete episódios.

Primeiro conhecemos a protagonista. Interpretada pela atriz Sophia Lillis, que já a conhecíamos de excelentes interpretações (e sempre muito pesadas) como em It” e “Sharp Objects“. Somos transportados para a sua vida caótica, após a perda do pai por suicídio. A relação que tem com a mãe não é a mais amigável e ainda cuida do seu irmão mais novo. Enquanto isso lida com a escola e com a descoberta da sua sexualidade, pois sente-se atraída pela sua melhor amiga, que recentemente começou a namorar. Sozinha e desamparada, ninguém compreende os seus verdadeiros sentimentos, mas o seu vizinho da porta ao lado, faz questão de conhece-la melhor. Apesar de Sydney não estar nem aí. Para piorar a situação a jovem começa a desenvolver estranhos poderes psíquicos que manifestam-se com a sua raiva e que não consegue controla-los.

Os episódios são curtos e por isso esta primeira temporada vê-se muito rapidamente. A Netflix volta a focar-se na inconstante mente jovem com um pouco de sobrenatural, para a sua programação. O final desta temporada foi misterioso e dá vontade de conhecer mais, nomeadamente o passado da jovem e com o que está relacionado. Pois tal como a protagonista, também não percebemos o que se está a passar.

I’m not okay with this” é uma pequena série sobre o crescimento, as responsabilidades e as nossas próprias frustrações. Os furações que ocorrem dentro de nós próprios sem que nos apercebemos.

O Último dos Czares

A história da Rússia, nomeadamente este período, sempre me fascinou. Muito devido ao filme de animação, “Anastasia”. A Netflix produziu uma magnífica série documental que aborda o reinado dos últimos da dinastia Romanov. A família real russa há muito estava fragilizada, com um povo em miséria e insatisfeito, a falta de ideais modernos e pacíficos ditaram o seu fim. A morte do czar Alexandre III em 1894, foi o primeiro aspecto fragilizado. O seu filho Nicolau seria o seu sucessor.

A história da Rússia, nomeadamente este período, sempre me fascinou. Muito devido ao filme de animação, “Anastasia“. A Netflix produziu uma magnífica série documental que aborda o reinado dos últimos da dinastia Romanov. A família real russa há muito estava fragilizada, com um povo em miséria e insatisfeito, a falta de ideais modernos e pacíficos ditaram o seu fim. A morte do czar Alexandre III em 1894, foi o primeiro aspecto fragilizado. O seu filho Nicolau seria o seu sucessor. Mas a sua hesitação e despreocupação para liderar o povo russo foi desmotivante e tomou repercussões negativas durante todo o seu reinado. Muitas falhas cometeu, que podiam ser evitadas. O seu casamento com Alexandra e a sua luta para conseguir um filho rapaz para suceder-lhe o trono, tudo foi apresentado durante seis episódios.

Nesta série de drama e história, temos a explicação dos historiadores e especialistas, mas também uma excelente representação ficcional. Acompanhamos um reinado muito instável com ideias menos conversadores e mais modernas a surgir. O aparecimento do comunismo e o início das revoluções na Rússia. A insatisfação do povo era constante. A chegada de Rasputine à corte, foi a gota final neste mar de descontentamento pelo reinado de monarquia. Além disso quebrou a confiança do czar e da czarina tornando-os de chacota pelos habitantes. O final trágico desta família estava próximo. Quando a abdicação do czar foi a única solução para proteger-se a si, à esposa e aos seus cinco filhos, quatro meninas e o filho mais novo que sofria de uma doença, a sua segurança estava em risco.

Neste documentário acompanhamos os últimos momentos da dinastia de Romanov e o último dos czares. Além disso percebemos quais os momentos que antecederam estes acontecimentos e o futuro da Rússia. Um dos marcos mais importantes do país, que também coincidiu com o começo da 1ª Guerra Mundial. Estes foram dos acontecimentos mais marcantes do séc. XX, principalmente por serem tão sangrentos e radicais.

Crítica: Flavours of Youth

Três histórias diferentes de juventude, que aconteceram em diferentes partes da China.

Título: Si shi qing chun
Ano: 2018
Realização: Haoling Li, Yoshitaka Takeuch 
Interpretes:  George Ackles, Taito Ban, Dorothy Elias-Fahn…
Sinopse: Três histórias diferentes de juventude, que aconteceram em diferentes partes da China.

A beleza nas pequenas coisas

Nesta bela longa-metragem ficamos absorvidos não só com a história humana e real, mas também com a qualidade da animação presente durante mais de uma hora de filme.

Flavours of Youth” surgiu de forma expressiva e singular com três contos diferentes sobre a juventude e as suas repercussões na vida adulta. Afinal quem é que faz ser aquilo que somos? Nós ou os outros?

Olhando para a imagem promotora do filme, pensei que estava perante um filme sobre comida. O rámen bem apresentado com um aspecto saboroso, com massa a fumegar e carne com legumes que acompanham o empratamento. Fiquei com vontade de dar uma dentada naquele prato bem composto e com ar de ser delicioso. A animação de Yoshitaka Takeuch é absolutamente divinal. Depois de já o conhecer em trabalhos como “Your Name“, não podia esperar menos. A realidade das suas animações é tão credível que quase parece realidade. O seu toque estético perfeccionismo está brilhantemente bem conseguido. Takeuch é um génio da animação e os filmes que participa são sempre visualmente bonitos.

Flavours of Youth” reflecte sobre três histórias distintas. Em todas, apenas o país é a única semelhança. A China repartida em três contos sobre os seus habitantes. Histórias contadas do ponto de vista do próprio. A primeira é sobre Xiao Ming e a sua refeição favorita da infância. Uma massa de arroz que todos os dias almoçava juntamente com a avó. Essas são as memórias que o acompanharam até à sua idade adulta. Os sabores da sua infância, reflectem-se bastante nos seus dias.

Na segunda história, acompanhamos os pensamentos de Yi Lin. Uma modelo de moda que vive com a sua irmã mais nova. Apesar de ser bastante requisitada para as paserelles e sessões fotográficas, Yi Lin vive cada dia na incerteza. Com uma idade mais avançada na sua profissão, tem receio de ser ultrapassada por modelos mais novas. Mas as memórias do seu passado são um consolo para os seus momentos mais incertos.

Na terceira e última parte, temos uma história de amor. Li Mo e Xiao Yu duas crianças vizinhas que estudam juntos. Desenvolvem uma relação amorosa por cassetes caseiras gravadas. O destino separou os jovens que foram estudar para locais diferentes. Anos mais tarde Li Mo reencontra uma cassete perdida de Xiao Yu e as lembranças voltam a aparecer. Será que o destino os vai juntar novamente?

“Flavours of Youth” é um filme com uma qualidade estética fantástica, que reflecte sobre as segundas oportunidades e as voltas que a nossa vida pode dar. No final todos estamos juntos, somos todos humanos com os mesmos sentimentos, ambições e preocupações. Mais uma produção fantástica da Netflix. O blogue atribui 3 estrelas em 5.

Rating: 3 out of 5.
Netflix Portugal

Boneca Russa

Nadia, uma mulher adulta russa muito experiente que é surpreendida no seu dia de aniversário por uma mega festa, contudo a sua vida quando mesmo nesse dia é atropelada e morre imediatamente no local. Só que tudo está diferente, quando abre os olhos e está novamente na sua festa de aniversário e tudo está a acontecer exactamente da mesma maneira. Confusos?

E se repetíssemos o mesmo dia vezes sem conta?

Todos nós temos dias bons e como reverso, dias maus. Uma segunda oportunidade poderia surgir nas nossas acções se por ventura conseguíssemos viver o mesmo dia várias vezes e mudar onde erramos. Mas será essa uma fácil solução aos nossos problemas?

Nadia, uma mulher adulta russa muito experiente, é surpreendida no seu dia de aniversário por uma mega festa, contudo a sua vida quando mesmo nesse dia é atropelada e morre imediatamente no local. Só que tudo está diferente (ou melhor igual), quando abre os olhos e está novamente na sua festa de aniversário e tudo está a acontecer exactamente da mesma maneira. Confusos?

Nesta comédia com uma produção da Netflix temos um plot interessante. O mesmo reflecte sobre o facto de vivermos diariamente o mesmo dia sem alteração. Durante oito episódios e com apenas uma temporada, “Russian Doll” é uma série divertida, carismática e muito original. No protagonismo temos a atriz Natasha Lyonne que se torna na cara da série. Feita mesmo à sua medida, este papel principal foi criado para a atriz. Depois de experiências em American Pie e Orange is the New Black, Natasha interpreta uma ruiva aos caracóis com gosto por substâncias ilícitas e que que vive sobre a frase de carpe diem. À medida que a série avança percebemos que esta personagem, é mais complexa do que aparenta e os seus traumas do passado, que de alguma forma ainda interferem no futuro.

A música “Gotta get up” interpretada por Harry Nilsson ecoa ainda na minha cabeça após várias vezes que ouvimos esta canção na série. Sempre que Nadia acorda de mais uma morte do qual é sugada para reviver novamente o mesmo dia. Somos transportados, tal como ela para a sua festa de aniversário e dessa maneira a música continua. “Gotta get up” não podia ser mais adequada a esta situação estranha. Por vezes deixamos a nossa vida absorver todos os nossos momentos que nos esquecemos de cuidar um pouco de nós e até dos outros. O dia-a-dia é uma forte correria que por vezes foge do nosso controlo e apenas precisamos de parar e pensar um pouco.

A premissa de “Russian Doll” não é nova já a conhecíamos em exemplos como: Happy Death Day (2017), Naked (2017), Before I Go (2017), Edge of Tomorrow (2014), Source Code (2011). Contudo o que inspira mais confiança é o carisma da protagonista Natasha que consegue cativar a que cada episódio seja uma nova aventura. A série demorou a começar, só conseguimos o interesse a partir do quarto episódio, quando algumas perguntas começam a ter resposta e estamos cada vez mais próximos da conclusão. Outras personagens deviam ter sido aproveitadas, e por tal aconteceu várias falhas e confusões entre os relacionamentos de cada um.

Russian Doll” é uma série muito curta e rápida que apresenta uma comédia coerente e nos faz com vontade de conhecer mais. A segunda temporada já foi confirmada pela Netflix, só espero que não estraguem o que está bem.

Netflix Portugal

Crítica: Milagre na Cela 7

Uma história de amor entre um pai com uma deficiência mental, que foi injustamente acusado de assassinato e a sua filha de seis anos. A prisão será a sua casa, baseado no filme coreano de 2013, “Miracle in cell No. 7”.

Título: Yedinci Kogustaki Mucize
Ano: 2019
Realização: Mehmet Ada Öztekin
Interpretes:  Aras Bulut Iynemli, Nisa Sofiya Aksongur, Deniz Baysal
Sinopse: Uma história de amor entre um pai com uma deficiência mental, que foi injustamente acusado de assassinato e a sua filha de seis anos. A prisão será a sua casa, baseado no filme coreano de 2013, “Miracle in cell No. 7”.

Lingo, Lingo

Este é o filme que está a comover toda a gente. “Milagre na Cela 7” é uma produção dramática que nos vai fazer chorar baba e ranho e vai-nos prender ao ecrã. Uma história comovente sobre uma menina de sete anos e do seu pai com uma deficiência mental.

A frase que acompanha as personagens nos momentos mais emocionantes é Lingo, Lingo, que na verdade e traduzindo à letra do turco não tem um significado. Esta é uma expressão do folclore do país que é apenas uma forma de dizer. Mas ficará na nossa memória: Lingo, Lingo…Garrafas.

Nunca na minha vida pensei em assistir a um filme turco. Não porque não achava interessante, mas porque não conhecia muito da história cinematográfica do país. A plataforma Netflix veio abrir muitas portas do entretenimento em muitos países. Só temos a agradecer, para ficarmos mais cultos e conhecermos melhor a cultura e história de outras nacionalidades.

O filme “O Milagre na Cela 7” tornou-se viral nestes tempos. Comentários elogiadores inundaram as redes sociais com aspectos positivos sobre este filme. Captou a minha atenção pelo facto de ser um filme que apela às nossas emoções. Para mim um bom filme é aquele que me consegue emocionar e fazer pensar. Criar impacto em mim é o primeiro passo para ficar marcado na minha lista cinematográfica. Este ficou.

Apesar de ser um filme turco, esta história não é nova. Aliás, até foi baseado num filme coreano com o mesmo nome, “Miracle in cell No. 7“, mas com algumas ligeiras alterações. Aqui temos a história de uma menina com sete anos, Ova que luta diariamente para voltar a ver o seu pai, Memo, que foi injustamente condenado à morte pelo acidente fatal de uma colega de turma. Memo, tem uma deficiência mental que o faz agir como uma criança. Contudo a sua inteligência emocional vai comover os seus colegas de cela que o vão tentar ajudar a todo o custo. Mesmo sendo um caminho quase impossível de alcançar.

Estas histórias são mesmo criadas para abanarem o nosso coração e fazer-nos pensar no melhor e pior que existe na Humanidade. Memo e Ova só querem estar juntos e como tal merecem, mas o universo tem sempre forma de os conseguir tramar. Mas com a força do amor tudo é possível. “Milagre na Cela 7” é um forte drama, emocional e comovente que nos faz deixar cair uma lágrima de 5 em 5 minutos. A inocência de Ova é dos momentos mais puros e ternos do filme. A jovem atriz Nisa Sofiya Aksongur portou-se à altura e a sua boa-disposição contagia o público. O ator que interpreta Memo, é Aras Bulut Iynemli, o seu papel não era nada fácil, mas conquistou-nos o coração de tal forma que nos sentíamos envolvidos com história.

Preparem-se este não é um filme fácil de engolir. Com muitos dissabores, mas com uma narrativa linda que conquista. Um amor incondicional entre o pai e uma filha que lutam contra todos os obstáculos da vida. Uma junção perfeita dos filmes “I Am Sam – A Força do Amor” e “The Green Mile“. Ambos fazem chorar e este também não fica atrás. Para os fãs de uma verdadeiro drama que deixa marca para o futuro e nos deixa num desgaste emocional este é o filme ideal. O blogue atribui 4 estrelas em 5.

Rating: 4 out of 5.

The Movies that Made Us

Um documentário divertido que apresenta os segredos das gravações dos principais filmes que marcaram a nossa vida. Uma produção fantástica da Netflix que descortina os filmes de sucesso.

Existem filmes que fizeram a nossa vida. Filmes que ainda hoje acarinhamos com um sorriso e que de alguma maneira fizeram parte da nossa vida. Neste curto documentário de quatro episódios com produção da Netflix, voltamos a reviver os melhores que nos marcaram. São histórias que ficamos a conhecer com os segredos mais bem guardados dos filmes da nossa vida. A escolha de filmes não podia ser melhor: Dirty Dancing, Die Hard, Sozinho em Casa e Ghostbusters. Todos nós conhecemos estes filmes e todos nós temos uma lembrança, mínima que seja, sobre cada um destes filmes.

De uma forma descontraída, inovadora, mas informativa percebemos como surgiu a ideia de criar o filmes, as peripécias no caminho durante a sua produção e por fim a aceitação final do público. Ainda hoje são filmes que nos marcaram e ainda hoje são caracterizados como clássicos cinematográficos. Na época não se esperava que estes filmes atingissem o sucesso que tiveram, mas mesmo com todas as limitações tudo correu pelo melhor.

The Movies that Made Us” é um excelente documentário para os amantes de filmes, mas não só. Um documentário que junta os argumentistas, produtores, directores de fotografia, e até elementos dos duplos das cenas mais perigosas, alguns atores e são apresentados os locais mais emblemáticos das filmagens. Esta primeira temporada é muita divertida e conhecemos um outro lado da história, a magia de como se transformou naquilo que conhecemos hoje.

Netflix

Crítica: A Plataforma

Uma prisão vertical com uma cela por nível. Duas pessoas por cela. Apenas uma plataforma de comida e dois minutos para comer. Um completo pesadelo sem fim.

Título: El Hoyo
Ano: 2019
Realização: Galder Gaztelu-Urrutia
Interpretes:  Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan…
Sinopse: Uma prisão vertical com uma cela por nível. Duas pessoas por cela. Apenas uma plataforma de comida e dois minutos para comer. Um completo pesadelo sem fim.

Um buraco sem fim

Este filme de língua espanhola, não é para todos. Aliás é preciso ter “estômago” para assistir a muitas das cenas por aqui apresentadas. Atualmente em streaming na Netflix, acompanhamos um triller sobre o verdadeiro egoísmo humano. Tal como o protagonista, Goreng (Ivan Massagué), acordamos no desconhecido. Percebemos que está numa cela, prisioneiro. Numa cela onde apenas estão dois condenados. No centro encontra-se um enorme buranco quadrangular com um vertiginoso precipício sem fim.

As regras são nos explicadas: desce uma plataforma todos os dias com a melhor comida do mundo: lagosta, massas, vinho e até bolos extravagantes, mas cada cela tem apenas 2 minutos para comer o que pode, depois a plataforma baixa para o piso seguinte. Os privilegiados são os primeiros pisos, mas quem tem o infortúnio de calhar em pisos com números maiores, a comida é cada vez mais escassa. A cada mês mudam-se os prisioneiros das celas e o número total de andares é incerto.

A Plataforma” já conta com um Prémio do Festival de Toronto. Um triller poderoso que nos faz pensar na insanidade humana e egoísmo da sociedade. Uma crítica aguçada de fortes momentos que nos faz pensar sobre o mundo em que vivemos. Cada uma das personagens está a cumprir um castigo ou então está a zelar por um objectivo de vida. O nosso protagonista entrou voluntariamente neste poço do medo porque deseja receber um diploma e quer deixar de fumar. Contudo à medida que vai conhecendo as regras, percebe que não é com jogo limpo, nem com as suas palavras meigas que vai conseguir sobreviver. Terá de abstrair-se do homem que era e conseguir chegar ao fim dos seus seis meses de pena.

Num altura nunca antes vista na nossa sociedade com circunstâncias limitadas, consideramos este filme muito relacionável. Quase como se previssem o que iria acontecer no mundo nos meses seguintes. Quando os supermercados ficam com as prateleiras vazias, onde falha o papel higiénico e enlatados, percebemos que nos também estamos numa cela e a comida e bens essenciais rapidamente escasseiam, isto porque não houve partilha para o próximo. Percebemos que se queremos todos sobreviver temos que conseguir partilhar.

There are 3 kinds of people; the ones above, the ones below, and the ones who fall.

Goreng

Concluindo este é um filme que já se tornou viral e apesar de ser “nojento” e tenso para quem assiste, consegue transmitir uma forte mensagem. Afinal esse é o objectivo principal desta obra cinematográfica. A mensagem tem de chegar ao receptor que forma clara para que seja esse mesmo a agir coerentemente. Um filme que vale a pena conhecer. O blogue atribui 4 estrelas em 5.

Rating: 4 out of 5.
Netflix Portugal

Crítica: Okja

Uma menina arrisca tudo para prevenir que uma gigante multinacional de raptar o seu melhor amigo, um gigante porco chamado de Okja. Um original Netflix que vale a pena ver.

Título: Okja
Ano: 2017
Realização:  Bong Joon Ho
Interpretes:  Tilda Swinton, Paul Dano, Seo-hyun Ahn…
Sinopse: Uma menina arrisca tudo para prevenir que uma gigante multinacional de raptar o seu melhor amigo, um gigante porco chamado de Okja.

A Netflix começou lentamente a produzir os seus filmes originais. Nesta tentativa não se podia ter juntado melhor do que a Bong Joon Ho, vencedor de três Óscares este ano. Neste filme sul-coreano acompanhamos uma fantástica amizade entre uma menina, chamada de Mika e uma animal geneticamente modificado, Okja. Mika arrisca de tudo para salvar Okja de uma empresa multinacional, Mirando, liderado por Tilda Swinston, que tem outros propósitos para o animal. Entretanto Mika encontra-se involuntariamente com um grupo activista que pretende humilhar essa empresa incorrecta nos direitos dos animais.

Escrito e realizado por Bong Joon Ho, esta é também uma forte crítica à sociedade norte-americana e às suas influências por vezes descartáveis de uma sociedade absoluta. Bong Joon Ho utiliza estas armas para criar uma obra cinematográfica diferente, cultural e muito emotiva, que nos faz pensar em todas as consequências de um mundo mais capitalista. Além das sequências políticas presentes neste filme, também são vários os momentos ternos e sinceros que nos fazem sorrir e acreditar num mundo bem melhor. Esses momentos são protagonizados principalmente pela jovem atriz Seo-hyunn Ahn. E apesar da sul-coreana estar à altura do filme, muitos atores mais conhecidos decidiram aparecer neste filme como Tilda Swinton que é a líder e a vilã, mas nada comparada com a personagem de Jake Gyllenhaal, bem diferente dos papéis que já desempenhou. Neste filme desempenha uma excêntrico especialista em zoologia, mas que não é o melhor amigos dos animais.

We needed a miracle. And then we got one. Say hello to a super piglet. This beautiful and special little creature was miraculously discovered on one Chilean farm. We brought this precious girl to the Mirando Ranch in Arizona. Our scientists have been raising her with love and care ever since, observing and performing various studies. And we’ve successfully reproduced 26 miracle piglets by nonforced, natural mating. They are like nothing on Earth!

Lucy Mirando

“Okja” é um filme completo, mesmo apesar de apresentar fantasia em alguns momentos. Exemplo disso é a perseguição de Mika com o camião onde transporta Okja que o lava para os Estados Unidos. Esses momentos de ação são fortes e apresentam um dos momentos mais rápidos durante todo o filme.

Devemos dar crédito a estas histórias não tão comercializadas, mas ao mesmo tempo bonitas e com um forte factor emocional. Uma história de amizade e companheirismo que consegue resolver qualquer obstáculo. Um filme surpreendente e que não desiludiu. O blogue atribui 4 estrelas em 5.

Rating: 4 out of 5.
Netflix Portugal

La Casa de Papel

A quarta temporada da série La Casa de Papel voltou a surpreender e a fazer parar a respiração. Mas o Bella Ciao ainda não termina por aqui.

Temporada 4

O grupo de assaltantes vestidos de vermelho e com máscaras de Dali voltaram para uma quarta parte daquela que é das séries mais esperadas da Netflix. Numa temporada com oito episódios, o primeiro não podia ter um título mais apropriado. Começou tudo com “Game Over“, um nome nada benéfico para as nossas personagens que no último episódio da parte três estavam em maus lençóis.

(AVISO QUE O SEGUINTE TEXTO CONTÉM SPOILERS)

Pela primeira vez conhecemos o lado desnorteado e sem plano do Professor que acreditava plenamente na execução de Lisboa, que se tornara refém da Polícia. Desesperado e a acreditar que perdera o amor da sua vida, dá ordem final para guerra. Por outro lado temos Nairobi que está por um fio quando inesperadamente leva um tiro no peito e perde imenso sangue. É nesta sufoco e pressão de adrenalina que começa a quarta temporada. Desta vez o grupo volta a reunir-se para mais um assalto: ao Banco Nacional de Espanha. O Professor, Tóquio, Helsínquia, Nairobi, Denver, Estocolomo, Lisboa, Marselha e Palermo, juntam-se para resgatarem Rio que foi capturado e torturado.

A resistência volta na sua maior força, contudo muitos dos acontecimentos tornaram-se percalços inesperados, e o novo plano foi comprometido. Nas temporadas anteriores temos um Professor mais resistente e perspicaz que elaborou o plano perfeito de assaltou em memória ao seu pai. Este novo plano é uma memória viva a Berlim, seu meio-irmão. Aliás esta foi uma das personagens que agradou a maioria e por isso mesmo decidiu voltar, São vários os momentos flashbacks que acompanhamos a concepção do plano e memórias de Berlim. Sendo um dos melhores momentos o ouvirmos cantar no seu próprio casamento. O ator Pedro Alonso já tinha provados os seus dotes musicas em pequenos momentos, relembro a música “Bella Ciao”, mas nesta versão da música “Ti Amo” conseguiu surpreender ainda mais.

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O argumento volta a ser o ponto mais positivo desta temporada, mas não é o único. Aliás tudo nesta série se complementa em harmonia e eficácia. O departamento de fotografia volta a impressionar com tons escuros de filmagens, onde se destaca o vermelho dos fatos macacos da resistência. Além disso os momentos de flashbacks que são adocicados em tons quentes o que nos transmite conforto em conhecimento de mais pormenores sobre a vida destas personagens.

La Casa de Papel volta a criar empatia com o público e isso vê-se nos relacionamentos entre as personagens. Contudo nesta parte não nos sentimos tão próximos dos assaltantes. Nota-se que existe uma quebra e uma desconfiança entre todos o que dificulta o assalto. O que desiquilíbria em momentos críticos. A confiança dos protagonistas é muitas vezes posta em causa. Pela primeira vez temos um forte vilão no interior com os assaltantes (e não, não estou a falar do Arturito, aquela personagem que todos amamos odiar) mas sim de um assassino profissional que vai ameaçar a estabilidade do grupo. Além disso do lado de fora temos a Inspectora Alicia Sierra, que não tem rodeios para atingir os fins, mas até sentimos empatia com esta personagem. Mas nada deve ser tido com garantido

Além da muita ação, mistério e suspense, são esperados momentos de puro drama e mesmo emocionais. Como fãs vamos ficar rendidos. Existem novamente momentos memoráveis e apesar de estar temporada ter sido à pressa é notório em algumas falhas de desenvolvimento, mas tal não deixam ficar mal o público. Indico que vamos andar novamente com o coração nas mãos devido aos fortes acontecimentos que põe em risco a vida das nossas personagens. O “atraco” ainda não terminou e espera-se uma quinta temporada. Além disso o final foi bem tenso. O que esperam encontrar nos próximos capítulos de La Casa de Papel?

Netflix Portugal